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STJ libera contas conjuntas de Reinaldo, que já acumula dívida de R$ 445 mil na campanha

STJ libera contas conjuntas de Reinaldo, que já acumula dívida de R$ 445 mil na campanha

Por: RegiãOnline
23/10/2018 às 10h46 Atualizada em 23/10/2018 às 14h46

 

Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Felix Fischer, liberou duas contas conjuntas do governador Reinaldo, que está com todos os bens bloqueados na Operação Vostok (José Cruz/Agência Brasil)

 

Com R$ 277,5 milhões da família bloqueados na Operação Vostok, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) recorreu novamente e conseguiu a liberação de duas contas bancárias conjuntas. Investigado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e chefiar organização criminosa, o tucano é acusado de causar prejuízo de R$ 209,7 milhões aos cofres estaduais.

Conforme despacho do ministro Felix Fischer, relator do inquérito 1.190 no Superior Tribunal de Justiça, o tucano alegou que o bloqueio de suas contas conjuntas no Banco do Brasil e no Santander inviabiliza o custeio das despesas habituais e agropecuárias bem como a regularidade da campanha eleitoral.

Candidato à reeleição, Reinaldo é o primeiro governador na história de Mato Grosso do Sul a ser alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal em seu apartamento e na Governadoria. Ele é acusado de receber R$ 67, 7 milhões em propinas da JBS em troca de incentivos fiscais.

Para garantir o ressarcimento dos cofres estaduais dos valores supostamente desviados, o STJ decretou a indisponibilidade de R$ 277,541 milhões do governador, da sua esposa, Fátima Alves de Souza Silva e os três filhos do casal – Rodrigo Souza e Silva, Rafael Souza Silva e Tiago Souza e Silva. Rodrigo chegou a ficar preso por cinco dias.

Despacho do ministro Felix Fischer foi publicado nesta terça-feira (Foto: Reprodução)

No final de setembro, o governador tinha conseguido a liberação das contas pessoais. De acordo com despacho de Fischer publicado no dia 3 deste mês, o tucano tinha R$ 1,4 milhão depositado nas contas bancárias, valor suficiente para cobrir as eventuais despesas da campanha eleitoral.

No entanto, o desbloqueio não foi suficiente e os advogados do governador pediram o desbloqueio de duas contas conjuntas, no Banco do Brasil e no Santander. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo levantamento do bloqueio para evitar danos irreparáveis. A liberação, conforme o ministro, é suficiente para o tucano quitar despesas habituais e incorporar recursos na campanha.

Conforme o Tribunal Superior Eleitoral, Reinaldo já gastou mais do que arrecadou na disputa eleitoral. Ele teria gasto R$ 3,6 milhões, mas arrecadou R$ 3,2 milhões, restando uma dívida de R$ 445 mil. Até o momento, o governador não desembolsou um tostão do próprio bolso para investir na reeleição.

O despacho de Fischer é do dia 19 deste mês, mas foi publicado no Diário Oficial do STJ nesta terça-feira.

Além deste inquérito, o governador é investigado em outros dois no STJ. O inquérito 1.198 deverá ser arquivado amanhã, porque o autor da denúncia, o empresário José Alberto Berger, recuou da revelação feita no Fantástico e isentou o tucano da cobrança de até R$ 500 mil em propina para manter o incentivo fiscal.

O outro apura o envolvimento de Reinaldo e do filho, Rodrigo, no suposto plano para roubar propina de R$ 270 mil pagas ao corretor de gado José Ricardo Guímaro, o Polaco. Conforme a quadrilha presa pelo roubo, o objetivo era matar Polaco para evitar delação premiada. O governador e o filho negam a acusação.

No debate realizado ontem pelo jornal Midiamax, o governador voltou a acusar os donos da JBS de “pilantras”. Ele disse que eles armaram “delação mentirosa”.

Sobre a prisão do filho,  Reinaldo insinuou que o STJ foi arbitrário e só o prendeu para ouvi-lo. “Prendeu para ouvir quem nunca se negou a falar”, afirmou, apesar dele e do filho terem sido convocados duas vezes para prestar depoimento à PF e não terem comparecido alegando compromissos.

O governador, ainda no debate, disse que investiu muito no combate à corrupção e nunca foi condenado na vida. “Investigação não é condenação”, ressaltou, sobre os três inquéritos no STJ.

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