om metade das mortes registradas neste ano em todo o país por H1N1, Goiás é o primeiro estado do país a promover campanha de vacinação contra gripe. As doses começam a ser aplicadas nesta sexta-feira (13), dez dias antes do lançamento da mobilização do Ministério da Saúde.
Segundo último boletim do órgão, das 16 mortes pela doença no país, 8 foram no estado. Uma 9ª vítima do vírus foi confirmada em Goiás após o balanço.
O início da vacinação foi marcado por filas quilométicas nas unidades de saúde da Grande Goiânia. Em alguns locais, como no Centro Municipal de Vacinação da capital havia fila desde às 2h, formada, na grande maioria, por idosos. A aposentada Maria Abadia, de 74 anos, chegou às 4h no local, e ficou atrás de dezenas de outros idosos. Ela afirma que madrugou na fila com medo de que as doses acabassem.
“A gente chega de madrugada porque tem medo de ficar sem. Tem que vir cedo para enfrentar a fila, mas garantir”, disse.
Para este primeiro momento, foram enviadas 650 mil unidades, e apenas idosos, trabalhadores da saúde, indígenas e pessoas com doenças cardíacas e respiratórias graves serão contemplados. A imunização protege contra dois subtipos da Influenza A – H1N1 e H3N2 – e um subtipo da Influenza B.
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO), as doses serão distribuídas apenas para grupos prioritários – crianças de 6 meses a 5 anos, gestantes, puérperas até 45 dias após o parto, pessoas com 60 anos ou mais, indígenas, trabalhadores da saúde, professores, portadoras de doenças crônicas não transmissíveis, funcionários do sistema prisional e adolescentes e jovens entre 12 e 21 anos que cumprem medida socioeducativa ou estão presos.

Idosos enfrentam filas quilométricas no 1º dia de vacinação contra H1N1 em Goiânia
A TV Anhanguera apurou que idosos de Goiânia que estão restritos ao leito e não podem se locomover até os postos podem solicitar a vacina em casa. Eles devem entrar em contato com o Distrito Sanitário de sua região. Nas unidades, há equipes conhecidas como Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf), responsáveis pelo atendimento.
As últimas mortes causadas pela doença foram registradas em 2016, quando 90 pessoas vieram a óbito. O medo do avanço da doença levou várias pessoas a laboratórios particulares. Os estoques acabaram, e as clínicas precisaram pedir reposição e passaram a atender com distribuição de senha. O custo é de cerca de R$ 150. O Procon fiscaliza o serviço.
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Filas para se vacinar contra a gripe H1N1 em clinica particular de Goiânia, Goiás (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
O governo estadual decretou estado de alerta e criou um comitê para controlar a situação e, adotando recomendações do Ministério Público, reservou 30 leitos em hospitais para atender casos graves. O secretário estadual de Saúde, Leonardo Vilela, classificou a situação como "anômala".
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Idosos fazem fila quilométrica na porta de Centro de Vacinação em Goiânia, Goiás (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)
De acordo com o último boletim da SES-GO, divulgado no dia 10 de abril, já foram confirmados 64 casos de H1N1 em 15 cidades do estado este ano. A pasta informou contabilizar apenas casos graves, já que a notificação da doença deixou de ser compulsória em 2012.
Até então, oito mortes tinham sido confirmadas. O nono caso foi informado ao G1 pela Prefeitura de Anápolis nesta quinta-feira (12) e vai ser anexado ao próximo boletim.
As duas primeiras morte por H1N1 registradas no estado neste ano ocorreram na Vila São José Bento Cottolengo, hospital filantrópico que atende pessoas com múltiplas deficiências, físicas e mentais. Um surto da doença atingiu a unidade, e outros pacientes precisaram ficar em isolamento.
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Vila São Cottolengo, em Trindade, Goiás (Foto: Vitor Santana/G1)
As visitas e procedimentos cirúrgicos foram suspensos. Para evitar que mais pacientes fossem contaminados, seguindo orientação do Ministério da Saúde, a SES-GO decidiu revacinar internos e funcionários com doses da vacina contra gripe de 2017.
Como a imunização ocorreu há menos de um mês, é necessário esperar que se completem 30 dias para que os internos e colaboradores sejam imunizados novamente, dessa vez com a dose de 2018, já preparada para as modificações sofridas pelo vírus H1N1.
Em 1º de abril, o médico pediatra Luiz Sérgio de Aquino Moura em decorrência da doença. Ele trabalhava em hospitais da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e Goiânia e era autoridade sanitária do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Os parentes acreditam que ele pode ter se contaminado por causa do contato com pacientes sem equipamento de proteção.
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Médico Luiz Sérgio de Aquino Moura morre no Hugol em Goiânia Goiás (Foto: Reprodução/Facebook)
Outra vítima da gripe foi a dona de casa Neuza Araújo Rocha, de 49 anos. Ela morreu no dia 7 de abril, no Hospital de Doenças Tropicais (HDT), em Goiânia. Moradora de Hidrolânida, ela estava internada na unidade havia 26 dias e também sofria de diabetes, infecção pulmonar e hipertensão.
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Dona de casa Neuza Araújo Rocha, de 49 anos, que morreu vítima de H1N1 em Goiânia moradora de Hidrolânida Goiás (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Também em 7 de abril, um bebê de 3 meses de vida morreu com suspeita da doença. De acordo com a família, Eliel Bernardo Lacerda Cunha chegou a ter indicação para tomar Tamiflu, mas o medicamento teria sido negado. Funcionários do cemitério não permitiram que o corpo fosse velado e usaram máscaras e roupa especial, para evitar contaminação.