Segunda, 04 de Maio de 2026
17°C 33°C
Dourados, MS
Publicidade

Casa onde jovem foi esquartejado revela presença do PCC em bairros da Capital

Casa onde jovem foi esquartejado revela presença do PCC em bairros da Capital

Por: RegiãOnline
21/08/2017 às 17h38 Atualizada em 21/08/2017 às 21h38

Casa onde jovem foi esquartejado revela presença do PCC em bairros da Capital

Capa » Campo Grande » Polícia » Facção criminosa

 

 

 

Geisy Garnes

 

“Sempre foi uma boca de fumo”: é assim que moradores da região descrevem o local que na quarta-feira (16) foi palco da morte brutal de Fernando Nascimento dos Santos, de 22 anos. Conhecida como ‘ponto do PCC (Primeiro Comando da Capital) ’, a cada novo ano a residência é controlada por traficantes diferentes e guarda em suas paredes o peso de pelo menos outros dois homicídios.

A casa da Rua Augusta Rossini Guidi é simples, com parte do muro feito de paletes e o quintal amplo. O proprietário, segundo os moradores, está preso e desde de então a residência passa de mão em mão, sempre usada como ponto de vendas de prontas. Ali todos sabem, o tráfico é controlado pela facção.

A menos de dois meses os assassinos de Fernando se mudaram para o local. No mesmo dia que assumiram a ‘boca de fumo’ os suspeitos avisaram os vizinhos que ali todos eram do PCC e que a segurança da vila estava garantida. “Eles falaram que roubo e estupro não iam ter mais. Que o que a gente precisasse podia contar com eles”, lembrou um morador que preferiu não se identificar. O que, segundo a população, de fato aconteceu.

Os dias na rua já foram mais sombrios antes de Uesley de Oliveira Rodrigues, de 22 anos, conhecido por 'Mascote' ou 'De menor'; Danilo Richeli da Silva Fernandes, de 18 anos, conhecido por 'Mil Grau'; e Wellington Ferreira de Souza, 24 anos, conhecido como 'Dedinho', assumirem o ponto.

Os três sempre são lembrados como “rapazes simpáticos e solícitos”, que chegavam a dar dinheiro para as crianças comprarem lanches. Na casa a movimentação era sempre intensa, mas não atingia os vizinhos. “Compravam e iam embora”, descreveu uma moradora. Em outras épocas as famílias precisavam conviver com usuários consumindo a droga na frente de suas casas e até tiros eram dados durante brigas no local. “Essa é a terceira morte na mesma casa”.

Sem segurança, os moradores se apegaram a falsa proteção dos bandidos e ao medo de ser uma vítima do grupo caso denunciasse a situação. “Fico pensando que se a gente denunciasse isso não teria acontecido. Mas não temos segurança nenhuma. Já teve gente muito mais perigosa aqui”, contou um morador a reportagem.

O policiamento na região é feito pelo 10º Batalhão de Polícia Militar. No Los Angeles, a poucas ruas de onde o crime aconteceu, uma Base Comunitária de Segurança serve de ponto de apoio aos moradores, mas conta com poucos policiais e nenhuma viatura.

As rondas pelo bairro são feiras pelo Pelotão Aero Rancho, que possui apenas uma viatura para atender uma área que vai do Jardim Pênfigo ao Novo Século, abrangendo Los Angeles, Parque do Sol, Dom Antônio e o próprio Aero Rancho. Conforme apurado pela equipe de reportagem, o problema dos dois pelotões responsável pela segurança da região é a falta de efetivo.

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários