Terça, 10 de Março de 2026
19°C 27°C
Dourados, MS
Publicidade

No meio da pandemia, só 1 médico cuida de 11 aldeias e 7,9 mil vidas

No meio da pandemia, só 1 médico cuida de 11 aldeias e 7,9 mil vidas

Por: RegiãOnline
13/05/2020 às 07h44 Atualizada em 13/05/2020 às 11h44

Por Izabela Sanchez

Terenas da Terra Indígena Taunay Ipegue, que organizam praticamente sozinhos as barreiras sanitárias para evitar contágio do novo coronavírus (Foto: Divulgação)

Em tese, o regime de um médico do polo base de Aquidauana, serviço de saúde da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), é de 40h, das 7h às 11 e das 13h às 17h, de segunda a sexta-feira. Na prática, o expediente do único médico do polo base começa às 7h e ultrapassa as 18h todos os dias, e quando muito, há um pequeno intervalo para o almoço, que na maior parte dos dias se come frio dentro das aldeias. Há dois meses há apenas um médico para percorrer, sozinho, 11 aldeias nas Terras Indígenas da região, e um total de 7,9 mil pessoas.

Há anos sofrendo com sucateamento, a Sesai chega ao ápice da falta de assistência em plena pandemia de coronavírus no estado com a segunda maior população indígena do Brasil, mas com apenas um Dsei (Distrito Sanitário de Saúde Indígena). Se o único médico que atende às comunidades indígenas de Aquidauana ficar doente - risco entre os profissionais em meio à pandemia - a matemática básica mostra que não haverá atendimento.

Outro médico que dividia o trabalho pediu demissão porque passou em um concurso e desde então, há apenas um profissional. O que hoje trabalha no polo foi contratado pelo programa Mais Médicos, do governo federal, por um salário de R$ 12.386,50 para atendimento integral, conforme apurou o Campo Grande News.

Nesta região, os profissionais de saúde, os poucos que restam, percorrem sozinhos distâncias diárias de, no mínimo, 150 km, a bordo de viaturas sucateadas da Sesai, mas a distância média entre a área das aldeias e a cidade pode ser maior.

Dionedison Terena, 42, é natural de uma das aldeias atendidas, a aldeia Bananal, mas hoje vive na cidade de Aquidauana e tem recebido relato dos amigos e da família com as dificuldades de atendimento e a rotina exaustiva dos profissionais.

“A comunidade reclama muito de não conseguir atendimento médico”, comenta. Ele cita a exaustão da única enfermeira (há duas profissionais dessa área no atendimento, mas uma está doente e afastada desde março) e da única nutricionista que atende toda a região.

Terra Indígena Taunay Ipegue, durante assembleia terena em 2019 (Foto: Paulo Francis)

É o que também explica o professor Alceri Marques, 45, ex-cacique da aldeia Lagoinha.

- CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários